Sass Jordan morre aos 65 anos.
É com profunda tristeza que a família de Sass Jordan anuncia que a cantora, compositora, vencedora de um prémio Juno e antiga jurada do programa Canadian Idol faleceu pacificamente a 2 de outubro de 2026, rodeada pelas pessoas que mais a amavam. Tinha 65 anos
A família recorda-a como «uma força da natureza inimitável» e «um ser insubstituível de luz e alegria», uma mulher cuja generosidade e energia marcaram todos os que partilharam com ela um palco, um estúdio ou uma mesa de cozinha. Ao longo de mais de quatro décadas, deu ao rock canadiano uma das suas vozes mais reconhecíveis, abriu caminho para as mulheres num género tradicionalmente dominado por homens e ajudou a lançar a carreira de muitos jovens músicos que passaram pela sua banda.
Nascida Sarah Jordan, a 23 de dezembro de 1960, em Birmingham, Inglaterra, era filha do professor de literatura francesa Albert Jordan e da antiga bailarina inglesa Jean Lanceman. Aos três anos mudou-se com a família de França para Montreal, quando o pai assumiu uma posição na Universidade Concordia. Cresceu rodeada de música clássica, mas ouvir «The Night They Drove Old Dixie Down», dos The Band, na rádio foi uma revelação. O primeiro concerto da sua vida, a digressão Diamond Dogs de David Bowie, confirmou-lhe aquilo que queria fazer no futuro.
Ainda adolescente, cantava e tocava guitarra com amigos no Westmount Park e, aos 16 anos, já liderava bandas nos clubes de Montreal. Mais tarde tornou-se cantora e baixista dos The Pinups. Por volta de 1981, um jovem empresário chamado Simon Fuller, que ficara retido em Montreal depois de uma das suas bandas de digressão ficar sem dinheiro, passou duas semanas a viver na cave da sua casa. Duas décadas mais tarde, os seus caminhos voltariam a cruzar-se.
As suas influências eram vastíssimas, abrangendo artistas como Rod Stewart, Judas Priest, Ozzy Osbourne, Tears for Fears, Anthrax, Al Green, Bonnie Raitt, Chaka Khan, Gladys Knight e Aretha Franklin. Estudava especialmente os grandes vocalistas masculinos do rock, entre eles Steven Tyler, Robert Palmer, Paul Rodgers, Lou Gramm, Robin Zander e Lowell George, acreditando que «é o ritmo que faz um grande cantor».
A sua carreira discográfica começou em 1986 como co-vocalista de «Come On (Baby Tonight)», dos Bündock, incluída no álbum «Mauve». Rapidamente se tornou uma requisitada cantora de estúdio em Montreal, destacando-se a colaboração em «L’Affaire Dumoutier (Say To Me…)» dos The Box. Também ganhou notoriedade como compositora, quando a sua canção «Rain», interpretada por Michael Breen, entrou nas tabelas canadianas em 1987.
A Atlantic Records editou o seu álbum de estreia a solo, «Tell Somebody», em 1988. O tema-título alcançou o 11.º lugar das tabelas canadianas, impulsionando o seu reconhecimento público. O disco produziu ainda os singles «Double Trouble», «Stranger Than Paradise» e «So Hard». Em 1989 recebeu o Juno de Vocalista Feminina Mais Promissora e seria posteriormente nomeada para Melhor Vocalista Feminina em 1990, 1993 e 1995.
Após mudar-se para Los Angeles em 1990, gravou «Racine», lançado em 1992 pela MCA Records. Este tornar-se-ia o álbum mais emblemático da sua carreira, com vendas estimadas em 450 mil exemplares em todo o mundo. O disco incluiu sucessos como «Make You a Believer», «I Want to Believe», «You Don’t Have to Remind Me» e «Goin’ Back Again». «Make You a Believer» alcançou o 11.º lugar da tabela Mainstream Rock da Billboard e a Billboard distinguiu-a como a principal artista feminina de rock de 1992.
Nesse mesmo ano, depois de Kevin Costner ouvir a sua voz na rádio, gravou o dueto «Trust in Me» com Joe Cocker para a banda sonora de «The Bodyguard», que acabaria por vender mais de 45 milhões de cópias. Ao longo da sua carreira, partilhou estrada com nomes como Aerosmith, The Rolling Stones, AC/DC e Van Halen.
Entre os músicos da sua banda de digressão encontrava-se um então desconhecido Taylor Hawkins. Mais tarde, o futuro baterista dos Foo Fighters recordaria: «A Sass ensinou-me como estar numa banda de rock and roll e deu-me o meu primeiro salário no rock.»
Em 1994 lançou «Rats», o seu álbum favorito, segundo a própria. O disco gerou êxitos como «High Road Easy», «I’m Not» e «Sun’s Gonna Rise». Seguiram-se «Present» (1997) e «Hot Gossip» (2000). Em 2001 participou no espetáculo do intervalo da Grey Cup e interpretou Janis Joplin na produção off-Broadway «Love, Janis».
Em 2003 juntou-se ao painel de jurados do Canadian Idol, tornando-se a única mulher do grupo e mantendo-se durante as seis temporadas do programa. Entre os concorrentes que mais admirava encontravam-se Carly Rae Jepsen e Melissa O’Neil.
Continuou a gravar e a atuar regularmente, editando trabalhos como «Get What You Give» (2006), «From Dusk ‘til Dawn» (2009) e «Something Unto Nothing» (2011), este último com os S.U.N.
Entre 2012 e 2016 desempenhou funções honorárias como coronel do 417 Combat Support Squadron. Em julho de 2015 voltou a encontrar-se em palco com Taylor Hawkins, quando se juntou aos Foo Fighters em Toronto para interpretar «Stay With Me», dos Faces. Nessa ocasião, Dave Grohl afirmou ao público: «Se não fosse a Sass Jordan, Taylor Hawkins não estaria nos Foo Fighters.»
Nos anos seguintes celebrou os aniversários dos seus álbuns mais marcantes com «Racine Revisited» (2017) e a reedição de «Rats» (2020). Em 2019 participou na digressão A Bowie Celebration, acompanhada por antigos músicos de David Bowie.
A sua incursão pelos blues trouxe algumas das melhores críticas da sua carreira. «Rebel Moon Blues», editado em 2020, estreou-se no quinto lugar da tabela Blues Albums da Billboard. Dois anos mais tarde lançou «Bitches Blues», o seu décimo e último álbum de estúdio, que alcançou o 15.º lugar da mesma tabela.
A 28 de abril de 2023 publicou «Live in New York Ninety-Four», registo ao vivo com Taylor Hawkins na bateria.
Para além da música, emprestou o seu nome à marca de whisky Rebel Moon Whiskey e ao vinho Kick Ass Sass Wine.
«Se amas música e andas nisto há tanto tempo quanto eu, acabas por fazer aquilo que tens de fazer. Mas eu amo música. Sou uma fã enorme, gigantesca», afirmou certa vez.
Sass Jordan deixa um legado que ajudou a moldar o rock canadiano das décadas de 1980 e 1990, uma renovada paixão pelos blues e uma geração de artistas inspirados pelo seu exemplo, desde aspirantes a estrelas de concursos televisivos até um futuro membro dos Foo Fighters.
Deixa o marido, Derek Sharp, a filha Stella Jordan-Sharp, a enteada Brianne Sharp e o irmão Daniel Jordan. A família agradece o apoio dos fãs em todo o mundo e pede privacidade neste momento de luto.
